Discriminação e preconceito são realidades enfrentadas por estudantes indígenas de Roraima

  • 21/04/2017 - 07h33

Maíra Heinen, Enviada Especial da EBC

A Rádio Nacional da Amazônia veicula, nesta sexta-feira (21), a última matéria - da série de cinco - sobre a situação indígena nos tempos atuais. O especial é distribuído pela Radioagência Nacional.

 

A matéria desta sexta mostra o preconceito sofrido pelos indígenas que deixam suas tribos para estudar na capital Boa Vista, em Roraima. Esta situação é percebida com maior intensidade nos cursos universitários.

 

 

 

Sala de aula cheia, num dia comum no fim de março. Nas paredes, muitos cartazes ilustram teorias de pensadores mundialmente conhecidos: são trabalhos desenvolvidos pelos alunos do Instituto Insikiran de Formação Superior Indígena, da Universidade Federal de Roraima.


A presença indígena em universidades é rara em muitos centros urbanos, mas nem tanto na Maloca Grande, apelido dado pelos índios a cidade de Boa Vista.


Integrantes de diversas etnias, eles frequentam cursos regulares e também os disponibilizados pelo Insikiran, que oferece três cursos de formação superior para indígenas em nível de graduação: a licenciatura intercultural, o bacharelado em gestão territorial indígena e o curso de gestão em saúde coletiva indígena.


A universidade é, às vezes, o principal motivo da presença de muitos indígenas na cidade. Muitos se mudam para estudar e depois voltam para as aldeias. No ambiente urbano sentem o peso do preconceito e dos muros.


Alessandra Macuxi, estudante de gestão em saúde coletiva indígena, relembra o processo de chegada em Boa Vista. Segundo ela, as pessoas olham “de um jeito diferente por você ser indígena.”


A educação é sempre citada pelas lideranças como a chave para a defesa das causas indígenas. Mas são as escolas das cidades, os locais onde mais se vê a discriminação, onde muitas vezes não há educação diferenciada.


O coordenador da Organização dos Índios na Cidade, Eliandro Pedro de Sousa, explicou bem esta situação: “A gente percebe a exclusão na educação, por exemplo. O grande número de indígenas que terminaram o ensino médio, a maioria não conseguiu ter acesso às universidades.”


Ainda assim, a educação é a saída. Quem alerta é o professor Jonildo Viana, coordenador do curso de licenciatura intercultural, na Universidade Federal de Roraima. Para ele, ocupar a universidade é ter recursos para enfrentar preconceitos diários, na cidade ou fora dela.


“O indígena estar dentro da universidade significa aquisição de conhecimentos para a formação de capital intelectual. É justamente esse capital intelectual que vai subsidiá-lo nas suas lutas. As lutas são outras, as armas são outras, e uma dessas armas é o conhecimento”, destacou o professor universitário.


Números do último relatório de gestão divulgado pela Universidade Federal de Roraima apontam que atualmente 10% dos mais de 6 mil alunos matriculados nos cursos de graduação, são indígenas, os moradores da Maloca Grande.

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