Violência no campo bate recorde em 2016; Amazônia concentra maioria dos casos

  • 18/04/2017 - 09h37

Maíra Heinen

O ano de 2016 bateu recorde em diversas formas de violência no campo, segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT).


O relatório “Conflitos no Campo Brasil 2016”, lançado nessa segunda-feira (17), aponta o aumento de 22% em casos de assassinatos, que passou de 50, em 2015, para 61, no ano passado.


O número equivale a uma média de cinco assassinatos por mês. Outro destaque alarmante é o de agressões, que teve aumento de 206%.


A Amazônia concentra grande parte dos casos, como explica o secretário nacional da CPT, Antônio Canuto


“A Amazônia concentra o maior número praticamente em todos os índices de violência: assassinatos, tentativas de assassinatos, ameaças de morte, expulsões, despejos. A Amazônia é onde o capital avança sobre os direitos das comunidades, dos povos que existe no lugar.”


Rondônia foi o estado com o maior número de assassinatos no campo em 2016, com 21 casos. Um exemplo marcante foi o assassinato da militante do Movimento dos Atingidos por Barragens em Rondônia, Nilce de Souza Magalhães.


Nicinha, como era conhecida, desapareceu no dia 7 de janeiro, em Porto Velho, e o corpo foi encontrado cinco meses depois, no fundo do lago da hidrelétrica de Jirau.


Durante o lançamento do relatório, a filha de Nicinha, Divanilce Andrade, falou das dores da família e da omissão do estado na investigação do caso. Mas destacou também a luta da mãe.


“Que o caso da minha mãe não seja só mais um número, mas que através do caso dela, essas pessoas tenham voz, tenham vida, porque era a luta dela. Era a voz daqueles que não sabiam falar.”


O geógrafo e professor Marco Mitidiero avalia que a situação de violências pode ainda piorar. Ele destaca os projetos no âmbito do Legislativo, como a possibilidade da compra de terras por estrangeiros, a partir do Projeto de Lei 4.059 de 2012.


“Estrangeirização de terras vai significar mais ocupação territorial onde tem população de posseiros, ribeirinhos, índios e, então, mais violência.”


O ano de 2016 foi considerado pela Comissão Pastoral da Terra o ano mais violento desde o início da publicação do Caderno de Conflitos no Campo.

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