Líderes religiosos defendem empatia no tratamento aos refugiados no Brasil

  • 12/06/2018 - 16h28

Sayonara Moreno

Acolher, proteger, promover e integrar. Foi com essas palavras, ditas pelo principal líder do catolicismo no mundo, o papa Francisco, que teve início, nesta terça-feira (12), em Brasília, o Seminário Internacional de Migrações e Refúgio.

 

O encontro reúne líderes religiosos cristãos, agentes de pastorais e entidades de solidariedade e pessoas migrantes e refugiadas.

 

Com o tema “Caminhos para a Cultura do Encontro”, o seminário traz a reflexão sobre a realidade dessas pessoas e as formas como religiões, sociedade civil e governos podem atuar junto à realidade delas, promovendo igualdade e direitos.

 

Entre refugiados e imigrantes, participa do encontro, a designer gráfica Myria Tokmaji, que veio ao Brasil, há cinco anos, fugindo da guerra em Aleppo, na Síria. O país é a origem de 35% dos refugiados registrados somente no Brasil. Myria, que atualmente mora em Curitiba, conta que estar refugiada não é uma escolha e que o recomeço é difícil.

 

Representando as entidades parceiras que acolhem refugiados e migrantes no Brasil, Carmen Lussi acredita que as pessoas que insistem em reforçar o ódio e o preconceito agem por falta de amor e de conhecimento.

 

O secretário-geral da CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, dom Leandro Steiner, também critica esse tipo de atitude.

 

Segundo ele, algumas pessoas se dizem cristãs, mas não exercem os ensinamentos verdadeiros de Jesus Cristo, o que só muda com a empatia.

 

Dom João José da Costa, arcebispo da arquidiocese de Aracaju e presidente da Cáritas Brasileira, defende que os cristãos devem entender a importância de acolher e se lembrar a história de Jesus Cristo.

 

Participa também do evento o cardeal Luis Antonio Tagle, arcebispo de Manila, nas Filipinas, e presidente da Cáritas Internacional. Segundo ele, a maior parte do mundo é formada por migrantes, situação que se repete no Brasil – país que é acolhedor por natureza.
 

Segundo o Comitê Nacional para os Refugiados, o Brasil reconheceu, até o fim de 2017, mais de 10 mil refugiados, vindos de diversos países. Mais da metade mora no estado de São Paulo. Em todo o mundo, a ACNUR, Agência da Organização das Nações Unidas para Refugiados, mais de 22 milhões de pessoas estão em situação de refúgio. Mais da metade delas saíram de três países: Sudão do Sul, Afeganistão e Síria, que é o país com mais refugiados no mundo.

 

O Seminário Internacional de Migrações e Refúgio vai até a próxima quinta-feira (14), no Centro Cultural de Brasília, área central da cidade.

 

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