Prevenção ao Suicídio: esgotamento no trabalho é sinal de alerta

  • 14/09/2018 - 12h52

Ana Lúcia Caldas

O trabalhador passa um terço da vida no trabalho. Existem casos, onde a competição excessiva e a cobrança de metas abusivas, colocam em risco a saúde do trabalhador.

 

Regina de 51 anos, trabalha há 14 como bancária.

 

Sonora: "Nós temos metas, elas vão sempre aumentando e você é sempre ameaçado, acho que em todos os bancos, casos você não cumpra é sempre ameaçado de perder a funçao e sair."

 

Ela conta onde conseguiu ajuda.

 

Sonora: "Eu achei ajuda no próprio sindicato. Que lá tem uma Clínica da Saúde que você pode chegar e fazer o atendimento. Tem psicólogo, essas coisas, mas dentro da ação do próprio banco eu não conheci nada ainda. Tenho depressão moderada, tive uma crise aguda de estresse e tive que ser afastada."

 

O procurador Leonardo Osório, Coordenador Nacional de Defesa do Meio Ambiente do Trabalho do Ministério Público do Trabalho, diz que existem setores que precisam de uma atenção maior em relação a saúde mental.

 

Sonora: "Hoje no Brasil existem várias pesquisas que relacionam por exemplo o aumento do número de suicídios na área rural a aplicação indiscriminada de agrotóxicos. Existem setores como setores bancários, de telemarketing que existe uma cobrança de metas muito excessivas. Uma organização do trabalho que leva ao adoecimento mental. Quando esse adoecimento mental chega a um nivel altamente exagerado por levar o trabalhador a querer tirar a própria vida."

 

O procurador Leonardo Osório explica o que vem sendo feito pelo Ministério Público do Trabalho.

 

Sonora: “ Tem já grupos de trabalho em agrotóxicos. Ações civis públicas que questionam essa forma de produção de empresas que têm uma quantidade de trabalhadores com problemas de saúde mental bem superior a média nacional para tentar que essa organização do trabalho seja feita de forma adequada."

 

O coordenador de Serviços do Centro de Estudos de Saúde do Trabalhador da Fiocruz, Antônio Sergio, alerta para o esgotamento no trabalho. Segundo ele, existem alguns sinais de que o trabalhador está tendo a saúde mental afetada.

 

Sonora: "A insônia costuma ser um, a irritabilitade,a dificuldade de se relacionar socialmente. Às vezes você se perde em relação ao seus cuidados pessoais. Tudo isso pode ser um sinal de que alguma coisa está alterando a sua saúde mental."

 

Paulo Zaia, vice-presidente da Associação de Gestão de Segurança e Saúde Ocupacional, avalia que as empresas precisam investir em prevenção para que casos de suicídio não ocorram no ambiente de trabalho.

 

Sonora: "A reversão desse quadro de suicídio, tanto quanto qualquer outra alteração de saúde é o investimento em prevenção. A situação da saúde coletiva, o investimento na saúde seja público ou privado por parte das empresas e prinicpalmente o protagonismo das pessoas em relação a sua própria saúde é a parte mais importante que a gente tem que investir para a gente reverter esse quadro."

 

O Coordenador Nacional da Campanha Setembro Amarelo,Antônio Geraldo da Silva, alerta que a falta de trabalho também pode ser um gatilho.

 

Sonora: "É o trabalho ser desencadeador no sentido de ser um fato estressante. Mas, a ausência de trabalho também pode desencadear como um fator desencadeador para quem tem propensão a doenças mentais um quadro psiquiareicoe aí, sim, vir a acontecer também as mesmas situações relativas a suicídio."

 

É importante procurar ajuda com profissionais, nos serviços de saúde como os Centros de Referência em Saúde do Trabalhador. em emergências como o Samu e Centro de Valorização da Vida no 188, que está disponivel em todo o país. Lembrando sempre que 90% dos casos de suicídio podem ser evitados.

 

Na próxima reportagem a prevenção ao suicídio na velhice.

 

Com produção de Adriana Shimoda e Renato Lima. 

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