Reservas Extrativistas que Chico Mendes não viu nascer são hoje 30% do território da Amazônia

  • 22/12/2018 - 08h33

Renata Martins

“Ele é um pai que não viu os filhos nascerem, muito embora ele tenha visto os filhos de carne nascer.”

 

Chico Mendes deixou três filhos. Ângela, do primeiro casamento, tinha 19 anos quando o pai foi assassinado. Elenira e Sandino, de 4 e 2 anos, estavam dentro de casa quando o pai tombou.

 

Mas as crias de Chico a que a primogênita Angêla se refere representam o legado. O mais expressivo certamente são as reservas extrativistas.

 

A ideia de área pública ocupada com o intuito de proteger, foi proposta no primeiro Encontro Nacional dos Seringueiros, em 1985, em Brasília.

 

Em uma entrevista ao repórter Edílson Martins, encontrada no arquivo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Chico Mendes afirma que a única alternativa para Região Amazônica era a criação das reservas extrativistas.

 

Sonora: "É a única forma hoje que o seringueiro e o índio encontram pra defender sua floresta e, depois, transformar essa floresta economicamente viável para a região, para o país e para o mundo."

 

Chico Mendes morreu sem ver nenhuma reserva criada, mas sua morte foi crucial para efetivação desse território.

 

Pouco mais de um ano depois do seu assassinato, em 30 de janeiro de 1990, o governo Sarney cria as quatrovprimeiras reservas extrativistas no país. Todas na Amazônia. Uma delas, a Resex Chico Mendes.

 

A área é coletiva, de propriedade da União. Quem lá vive recebe a concessão do estado.

 

Claudio Maretti, diretor do ICMBio, destaca que, durante essas três décadas, as reservas extrativistas se expandiram a concepção ampliada, como a criação das reservas extrativistas costeiras.

 

Raimundão, primo legítimo de Chico Mendes mora com a família na reserva que leva o nome do parente de sangue e de luta. Raimundão fala como vive com a floresta e da floresta.

 

Sonora: “Aqui eu produzo castanha, borracha, banana, abacaxi, eu tenho galinha, pato, ovelha, porco e minha 10 cabeças de gado, duas vacas pra dar o leite pros meninos. Você anda por aqui e não vê destruição da floresta. Eu estou com 38 anos aqui. Cheguei antes da criação da reserva.”

 

Na próxima reportagem, a gente vai conhecer um outro legado deixado pela liderança ambientalista para o povo da floresta: a alfabetização.

 

*Sonoplastia: José Maria Pardal

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