Debate sobre risco de suicídio na população LGBT marca Setembro Amarelo

  • 05/09/2019 - 22h51

Fabiana Sampaio

Como parte das atividades para marcar a campanha Setembro Amarelo de Prevenção ao Suicídio, o Rio de Janeiro colocou em debate, nesta quinta-feira (5), os riscos que envolvem jovens LGBTs.


Promovido pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, o encontro colocou na mesa dados mundiais que apontam a extrema vulnerabilidade desse grupo, que teria de três a seis vezes mais chances de tentar tirar a própria vida.


Um dos principais motivos apontados como fator de risco específico dessa parcela da população é a homofobia.


A idealizadora de um projeto de prevenção ao suicídio criado há 3 anos em Pernambuco, assistente social e terapeuta comunitária Fernanda Luma, palestrante no evento, afirmou que o preconceito que os LGBTs sofrem abre um leque de possibilidades de adoecimento. E ele acontece em vários cenários. 

 

“Gatilhos, como a gente chama, de adoecimento. Quer seja a briga com a família, a saída de casa, o bullying na escola, de esconder sua vida, viver uma vida paralela no trabalho por medo de preconceito, de demissão. Esses [gatilhos] são bem específicos à população LGBT”.

 

De acordo com Fernanda Luma, as redes sociais também têm aumentado a vulnerabilidade das pessoas ao suicídio, com o cyberbullying e a possibilidade de mascarar os sentimentos.

 

“Tem um perfil diferenciado da pessoa em depressão, principalmente com a rede social. Pessoas que tiraram selfies produzidas e sorrindo minutos antes de se matar. Aí a gente a olha sorrindo e fala: ‘ela não está com depressão, não precisa de ajuda, quer chamar atenção’. É a cara da geração anterior falar isso sobre a geração mais nova. Porque acha que se há uma foto sorrindo, não há problema. O depressivo hoje não segue necessariamente esse padrão do moribundo que a gente tem na mente. Alguém que está trancado, chorando, desfigurado. Porque nós somos mestres em fazer maquiagem sobre nós mesmos, depois da rede social”.

 

A subsecretária de Direitos Humanos, Márcia Florêncio, afirma que o Estado tem atuado em campanhas de sensibilização e conscientização contra o preconceito, e também oferece centros de atendimento às vítimas da homofobia.

 

“Existe um preconceito extremamente grande, não mais velado, e altamente violento. Então, do ponto de vista da educação, é preciso que todos tenhamos essa perspectiva: que é um cidadão, um ser humano. Então, hoje, a gente tem o centro de cidadania LGBT, com mais seis municípios com esse serviço disponível, e qualquer pessoa que tenha seu direito violado pode recorrer. Com respaldo de psicólogos, assistentes sociais e advogados para apoiar e encaminhar para onde for necessário, seja Defensoria Pública, Ministério Público, enfim”.

 

De acordo com o Ministério da Saúde, entre 2007 e 2016, foram registrados mais de 100 mil óbitos por suicídio no país. Em 2016, mais de 11,4 mil pessoas tiraram a própria vida. Não há, no entanto, dados oficiais apontando a porcentagem de casos envolvendo a população LGBT.

 

* Texto e áudio atualizados às 15h30 de 09/09/19 para correção de informação. O nome da assistente social e terapeuta comunitária em Pernambuco é Fernanda Luma e  não Flávia Luma, como informado anteriormente. 

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