''É só levantar a mão e pedir ajuda'', alerta jovem no Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio

  • 10/09/2019 - 07h19

Ana Lúcia Caldas

Estamos no Setembro Amarelo, uma campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio realizada no Brasil desde 2015, criada pelo Conselho Federal de Medicina, Associação Brasileira de Psiquiatria,e CVV - Centro de Valorização da Vida.

 

A ideia é associar a cor amarela ao mês que marca o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, lembrado nesta terça-feira,10 de setembro.

 

Carla Hidalgo tem 26 anos e já tentou suicídio na adolescência por causa de um fracasso escolar.

 

Sonora: ''Eu acho que falar sobre o suicídio, falar sobre a depressão, trazer casos, ajudam muito. Eu acho que ajuda muito as pessoas a ficarem mais abertas a pedir ajuda e é isso que a gente precisa realmente, fazer as pessoas pedirem ajuda."

 

Dados da Organização Mundial da Saúde revelam que a cada 40 segundos, uma pessoa se mata no mundo.Por ano, quase 800 mil pessoas cometem suicídio. Aqui no Brasil, são 32 casos por dia.

 

Para Alexandrina Meleiro, da Associação Brasileira de Psiquiatria, o Setembro Amarelo é fundamental.

 

Sonora: "Um mês onde alertamos com mais ênfase sobre a questão da prevenção do suicídio. É um problema de saúde pública. Outros países já reduziram os números, mas o Brasil ainda não conseguiu esse este objetivo que se propôs em 2006 diante da Organização Mundial de Saúde" 

 

No Brasil, em 2006, o Ministério da Saúde apresentou a Estratégia Nacional para Prevenção do Suicídio.

 

A maioria dos casos está associada a distúrbios mentais e transtornos de humor.

 

Alexandrina Meleiro fala de alguns dos motivos que levam as pessoas a não pedirem ajuda e a pensarem em tirar a própria vida.

 

Sonora: "O estigma , o preconceito, o medo, o não ser compreendido faz com que as pessoas acabem sofrendo em silêncio. Grande parte com quadro depressivo, outra parte com dependência ao álcool e outras drogas com transtornos, às vezes com transtorno de esquizofrenia personalidade, doenças crônicas, diante de um desemprego, desenlace amoroso, o problema na orientação sexual, tudo isso leva a pessoa a ter pensamentos de não querer viver. "

 

Segundo a psiquiatra, nos jovens ainda existem os casos de automutilação como forma de amenizar a dor.

 

Nove em cada dez casos de suicídio podem ser evitados.

 

Para Leila Herédia, do CVV, não adianta fingir que o problema não existe.

 

Sonora: " Ele existe e as pessoas precisam de ajuda. Não é da nossa natureza pensar em se matar. Tanto que a OMS mostra que 90% dos casos são preveníveis, ou seja, em cada dez casos, nove podem ser evitados. O que é necessário é que as pessoas busquem ajuda por que na verdade ela não quer se matar. Ela quer se livrar desse sofrimento."

 

Perda de interesse pelas coisas que gosta, isolamento, descuido com aparência, piora do desempenho escolar ou no trabalho, alterações no sono e no apetite,e até frases como “preferia estar morto”  podem  ser sinais de alerta. Esteja atento. Esteja atento também às redes sociais.

 

E para quem está em um momento difícil Carla, que já passou por isso e sobreviveu,  tem um  recado.

 

Sonora: ''Pode ser sofrido, pode ser um monte de coisa, mas são momentos e momentos passam. É só aguentar firme, levantar a mão, falar ''eu preciso de ajuda nisso aqui. Não tô conseguindo resolver isso aqui". Aquilo ali vai passar, independente do que for, passa e vai ficar tudo bem depois. "

 

Você pode buscar ajuda nos Centros de Atenção Psicossocial e Unidades Básicas de Saúde, Hospitais e no Centro de Valorização da Vida – 188 ou internet.

 

Algumas universidades oferecem tratamento psicológico de graça.

 

E para saber mais acesse o site setembroamarelo.org.br.

 

Com produção de Rosemary Cavalcanti da Rádio Nacional em Brasilia, Ana Lúcia Caldas.

 

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