Pandemia do coronavírus pode causar aumento do tráfico de pessoas no mundo

  • 29/07/2020 - 21h50

Gésio Passos

A pandemia do novo coronavírus, que levou ao fechamento de fronteiras e a queda global do emprego, pode causar também o aumento do tráfico de pessoas no mundo. A informação é do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime.


Dados da ONU indicam que o tráfico de pessoas movimenta mais de US$ 30 bilhões e envolve mais de 2 milhões de pessoas no mundo, principalmente para exploração sexual e trabalhos forçados.  Segundo o Ministério da Justiça, entre 2018 e 2019, 184 brasileiros foram levados do país devido ao tráfico de pessoas, sendo 30 crianças e adolescentes.


A procuradora do Trabalho Andrea Gondim explica o que o tráfico de pessoas é uma grave violação aos direitos humanos.


30 de julho é o Dia Mundial de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. E para reforçar a prevenção a este tipo de crime, o Ministério Público do Trabalho e a Infraero assinaram, nesta quarta-feira, um acordo de cooperação técnica para ações de combate ao tráfico de pessoas e ao trabalho escravo em aeroportos.


Uma imigrante boliviana de 38 anos que, para não expor sua identidade, chamaremos nesta matéria de Maria, conta como foi enganada para vir de seu país a São Paulo, para trabalhar nas oficinas de costura de forma forçada.


“Quando ofereceram trabalho para meu ex-marido, prometeram pagar US$ 200, com lugar para morar e com comida, só tinha que cumprir horário de trabalho, essa era a promessa. Então viemos, mas quando chegamos aqui era outra coisa. Ninguém podia sair, éramos maltratados. A comida era muito ruim, só pagavam 15 centavos por peça de roupa, não podíamos sair.”


Maria ficou dois anos explorada no país, sofrendo ainda violência de seu ex-marido. Ela conseguiu fugir em 2015, e hoje conta com ajuda de instituições de apoio ao imigrante para criar seus filhos.


O acordo entre o MPT e a Infraero tem como meta capacitar funcionários dos aeroportos e conscientizar usuários e passageiros. A iniciativa faz parte do projeto “Liberdade no Ar”, que veicula conteúdos relacionados ao tráfico de pessoas nas telas de avisos dos voos.


A procuradora Andrea Gondim, que coordena o projeto, afirma que, devido à recessão global pela pandemia, o tráfico de pessoas tende a aumentar.


A boliviana Maria fala da importância de se fazer denúncias e procurar ajuda em caso de exploração em um país estrangeiro.


“Somos seres humanos e sempre teremos direitos, não importa o país onde nós estivermos. E não devemos nos calar. Muitas vezes nos metem medo para não podermos falar, mas quando nos calamos estamos facilitando para essas pessoas sigam machucando outras pessoas. Então é melhor falar”.


Entre 2014 até julho deste ano, o Ministério Público do Trabalho registrou quase 1,5 mil denúncias de aliciamento e tráfico de trabalhadores.


As denúncias de tráfico de pessoas e do trabalho escravo pode ser feitas pelo Disque 100 ou Disque 180, do Ministério dos Direitos Humanos. E também no site mpt.mp.br.

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