Discussões sobre o ensino médio em 2017: flexibilização da grade com a reforma e mudanças no Enem

  • 30/12/2017 - 09h33

Mariana Martins

O ano de 2017 foi marcante para estudantes: reforma do ensino médio, mudanças no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), nova Base Nacional Curricular e muitos desafios. A aprovação da reforma do ensino médio trouxe grandes mudanças, como a permissão para que profissionais com notório saber, mas sem formação acadêmica específica, possam dar aulas no ensino técnico e profissional e a ampliação progressiva da carga horária.

 

O projeto prevê, ainda, que os alunos escolham a área na qual vão se aprofundar já no início do ensino médio, tendo como opção iniciar o curso técnico. Mas as medidas não agradaram a todos. Na época, o presidente Michel Temer admitiu a polêmica, mas considerou positivo o resultado final.

 

Sonora: “Nós temos mandado propostas que têm tido muita polêmica e uma saudável polêmica, porque nós vivemos num Estado Democrático e, num Estado Democrático, o que mais se deve fazer é polemizar, porque a polêmica crítica, portanto, gera aperfeiçoamento. Certa e seguramente algumas modificações que foram feitas pelo Congresso Nacional também nasceram da própria sociedade.”

 

Mesmo assim, a proposta recebeu críticas do coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara.

 

Sonora: “A reforma do ensino médio aconteceu de forma aligeirada. Ninguém tem dúvida de que é necessário reformar o ensino médio. O problema dessa reforma do ensino médio é que ela volta a cindir a sociedade brasileira entre aqueles têm o ensino propedêutico, que vão ser os proprietários da sociedade, que vão ser as lideranças da sociedade, e àquelas pessoas que vão ter uma formação para o mercado de trabalho aligeirada e de baixa qualidade.

 

Outra polêmica foi parar no Supremo Tribunal Federal. O STF autorizou o ensino religioso confessional como disciplina optativa em escolas públicas. O Enem também sofreu mudanças este ano. O exame passou a ser feito em domingos consecutivos, deixou de certificar a conclusão do ensino médio e de produzir um ranking entre as escolas do país. Também ficou mais acessível e passou a oferecer provas com vídeo-tradução para estudantes surdos.

 

Mas a polêmica sobre os critérios de correção da redação, que previa zerar a nota de quem violasse os direitos humanos, deu o que falar. A ministra do STF, Cármen Lúcia, julgou ação da Associação Escola sem Partido e definiu que este não poderia ser critério para zerar a nota de redação do exame.

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