Na Trilha da História: Historiadora relata a luta pelos direitos das mulheres nos séculos XIX e XX

  • 10/03/2018 - 07h40

Apresentação Isabela Azevedo

Olá, eu sou a Isabela Azevedo e está começando mais uma versão reduzida do Na Trilha da História. Nesta semana, em que comemoramos o Dia Internacional da Mulher, nós batemos um papo com a historiadora Joana Maria Pedro, pesquisadora do Instituto de Estudos de Gênero da Universidade Federal de Santa Catarina e organizadora do livro Nova História das Mulheres no Brasil.

 

Joana começou nossa conversa explicando que, por muito tempo, os homens foram escolhidos como os únicos protagonistas da história, mesmo ela tendo sido também construída a partir da trajetória feminina.

 

Sonora: "Mesmo porque como não se procura ver onde elas estavam, só se escreveu o que os homens fizeram. Foi quando se passou a olhar o cotidiano, as ações mais próximas do dia-a-dia é que se percebeu a presença das mulheres, passou a se dar importância para as mulheres. Então, não dá mais para escrever uma história desconhecendo a atuação das mulheres."

 

A historiadora explicou que, para se falar de uma história das mulheres, é preciso considerar a classe social. Ela dá o exemplo da atuação feminina no mercado de trabalho.

 

Sonora: "Mulheres dedicadas somente à família eram comuns no século XIX e início do XX, nas camadas médias urbanas e na elite, principalmente. Na medida em que o tempo foi passando, as poucas mulheres das camadas médias urbanas foram se dedicando a determinadas profissões e disputando com homens determinadas profissões, que antes somente eram masculinas: advogada, médica, dentista... ocupar funções melhor remuneradas."

 

Joana Maria Pedro enfatiza que, mesmo tendo de exercer outros trabalhos, a casa e os cuidados com os filhos eram responsabilidade exclusiva das esposas.

 

Sonora: "Eu ainda estou falando de homens no século XIX, início do XX, de áreas urbanas e classe média. Esses homens, em casa, não vão querer fazer nada. A casa vai se tornar para os homens uma espécie de descanso do guerreiro, e eles não vão querer interferir em praticamente nada na casa e nem na criação dos filhos. Isso vem com a ideia de que as mulheres precisam ser educadas."

 

Essa ideia de que a mulher precisava ser educada pelo marido incluía punições físicas, como explica a historiadora.

 

Sonora: “Isso os papas da igreja diziam: cabia ao homem educar a mulher, como se ela fosse uma criança, e espancá-la se fosse necessário. "

 

O movimento feminista surge como uma reação à desigualdade de gêneros. A historiadora conta quando o feminismo começou a ganhar força no Brasil.

 

Sonora: "Essa palavra vai ganhar mais força a partir dos anos 60. É um movimento que vem dos Estados Unidos, quando elas estão lutando pelo direito ao prazer, ao aborto."

 

Joana Maria Pedro diz que é preciso valorizar os direitos já conquistados pelas mulheres, mesmo que as mudanças tenham sido lentas e ainda exista um longo caminho para percorrer.

 

Sonora: “Comparado com os dias de hoje, mudou muita coisa. Mesmo que faça escolhas erradas, você escolhe seu parceiro. Hoje as mulheres vão às universidades, graças às sufragistas do século XX."

 

Esta foi a versão reduzida do Na Trilha da História! O episódio completo tem 55 minutos e traz, além da entrevista na íntegra com a historiadora Joana Maria Pedro, músicas que refletem a luta cotidiana das mulheres! Para ouvir, acesse: radios.ebc.com.br/natrilhadahistoria. E se você quiser enviar uma mensagem pra gente, nosso e-mail é culturaearte@ebc.com.br! Até semana que vem, pessoal!

 

 

Na Trilha da História: Apresenta temas da história do Brasil e do mundo de forma descontraída, privilegiando a participação de pesquisadores e testemunhas de importantes acontecimentos. Os episódios são marcados por curiosidades raramente ensinadas em sala de aula. É publicado semanalmente. Acesse aqui as edições anteriores.

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