Estudantes e servidores saem em defesa da UnB; MEC nega corte de verbas

  • 10/04/2018 - 23h41

Sayonara Moreno

Terminou em confronto e sem negociação o ato unificado de membros da Universidade de Brasília (UnB) que se manifestaram contra o corte de verbas da instituição, nesta terça-feira (10), dia em que as atividades pararam, na universidade.

 

Durante a manhã, manifestantes caminharam até a sede do Ministério da Educação, em Brasília, no ato que reuniu estudantes, professores, servidores, estagiários e trabalhadores terceirizados dos quatro campi da universidade.

 

Cerca de 500 manifestantes pediam a correção no repasse de verbas da UnB. No meio da tarde, um confronto com a polícia militar encerrou a mobilização. A coordenadora-geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UnB, Katty Hellen da Costa, estudante de engenharia florestal, conta que novas mobilizações devem ocorrer.

 

Durante a manifestação, uma comissão, composta de seis integrantes da UnB, esteve na sede do MEC, para ser recebida por representantes da pasta, o que, segundo a estudante, não ocorreu. Na tarde desta terça, após o ato, o novo titular do MEC, Rossieli Soares da Silva, que tomava posse do cargo, lamentou as depredações e confirmou a suspensão do diálogo.

 

Em nota, a PM do Distrito Federal nega confronto por parte dos policiais e confirma as depredações. Além disso, argumenta que o uso do spray de pimenta e bombas de efeito moral, por exemplo, são permitidos por lei, como a adoção do uso progressivo da força, quando há desobediência de ordem verbal. Três pessoas foram detidas por pichação, desacato e dano ao patrimônio público, e encaminhadas à superintendência da Polícia Federal. Até o fechamento desta reportagem, a PF não deu detalhes sobre as pessoas encaminhadas à corporação.

 

Segundo os membros da UnB, o MEC retém, por meio do teto de orçamento, uma parte da verba que a própria universidade arrecada com aluguéis de imóveis, e pela banca Sebraspe, antigo Cespe, responsável por organizar concursos públicos em todo o país. Outra integrante do DCE da UnB, Ludmilla Brasil, estudante de Ciências Sociais, explica que o ato foi para pedir ao MEC a verba que já é da universidade e criticar o corte de 50% nos repasses do governo federal à instituição.

 

Em nota, o MEC nega a ausência de recursos para as universidades federais de todo o país, nos últimos dois anos. Em relação à UnB, o órgão afirma que é a instituição com mais recursos entre as seis universidades de mesmo porte.

 

A Universidade de Brasília informou que o rombo nos cofres da universidade passa dos R$ 92 milhões. A instituição busca aumentar a receita e reduzir despesas. A redução de custos está prevista em R$ 39 milhõs e deve ser alcançada com ajustes em contratos de serviços, mudanças nos preços das refeições do Restaurante Universitário e mudanças nos contratos dos estagiários. No fim do mês passado, integrantes da universidade chegaram a alertar à comunidade que, sem contingenciamento, a instituição pode parar de funcionar em agosto deste ano.

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