Conheça a história da Rádio Nacional de Brasília que celebra 60 anos no ar

  • 02/06/2018 - 08h21

Graziele Bezerra

"Das vertentes Amazônicas às cochillhas gaúchas e dos contrafortes andinos ao litoral atlântico, Brasília fará ouvir sua voz a partir deste momento, graças aos poçantes transmissores da Rádio Nacional."

 

Foi com este discurso que Juscelino Kubtischeck inaugurou a Rádio Nacional de Brasília, em 31 de maio de 1958.

 

E foi com essa proposta de unir o país de uma ponta à outra, e deixar o candango mais perto de casa, que nasceu a Nacional.

 

Apaixonado pela história de Brasília, que se confunde com a própria história da rádio, o publicitário João Carlos Amador, conta um pouquinho dessa missão.

 

Sonora: "Era o objetivo de Brasília, né? Unir o país. Tava ali no centro geográfico. Ele queria unir fisicamente de todas as formas. A rádio era uma dessas formas de unir o país. Ele dava notícias do andamento da construção pra cidade, notícias diárias, tinha esse canal de comunicação de quem estava aqui, com os seus estados. Então ela era a representação física, em forma de mídia, daquela união que ele queria para o Brasil e conseguiu no fim das contas."

 

Com uma programação vasta, que transmitia desde a missa de domingo até corrida de cavalos, a Rádio Nacional, ao longo de seus 60 anos, também foi responsável por grandes coberturas, como destaca Amador.

 

Sonora: "O maior deles eu acho que é o da Ana Lídia, foi em 73, que foi amplamente coberto pela imprensa, pela Rádio, que falou muito. Mário Eugênio, que ela um radialista, muito popular, o mais popular na época. Um jornalista policial. Foi assassinado. Ele já tinha um grande público de rádio. As pessoas ouviam a Rádio Nacional e ouviam ele. Fora as copas do mundo. Tem até uma foto do Juscelino ouvindo a copa de 58 na Rádio.... Diretas Já, as posses dos presidentes, as campanhas eleitorais."

 

E, além da prestação de serviços pra quem estava aqui na capital, e por causa do seu alcance Nacional, a Rádio também começou a atrair público de outros Estados. Foi o que aconteceu com o paraibano Inácio Umberto Araújo, o Beto Padeiro, ouvinte cativo há mais de 40 anos. Ele é morador de Águas Lindas de Goiás e diz que só trabalha ao som da Nacional.

 

Sonora: "Eu comecei a ouvir a Rádio Nacional. Eu trabalhava em Taguatinga, Tocantins, que era Goiás antigamente. Eu vim conhecer a Rádio Nacional no programa de madrugada, com o Frank Silva. Eu gosto de tudo na Nacional. Fico trabalhando e ouvindo. Lá em casa todo mundo escuta. Aí eu agradeço a Rádio Nacional por me ajudar a arrumar assim, amigo. Eu tenho muito amigo no Brasil todo, em São Paulo, Rio de Janeiro, até no Japão."

 

Mas a Rádio Nacional sempre foi mesmo a cara da música do Brasil. E um dos principais celeiros do rock nacional, que começou a fazer história por aqui, em meados da década de 1980. Quem se lembra bem desse período é o Luciano Barroso, radialista mais antigo da casa, ainda na ativa.

 

Sonora: "Eu fiz programa de auditório. 100, 200 pessoas vinham praticamente todos os dias pra assistir ao programa no rádio. Era uma coisa de louco. As bandas estavam começando a explodir aqui em Brasília. O aborto Elétrico, Capital Inicial, Plebe Rude, Finis Africa.... e eu tava nesse movimento. Eu dei muita sorte. Acho que o mestre me ama muito, já há muito tempo, porque eu tava na hora certa, no lugar certo, nesse movimento."

 

Sessenta anos depois, a Rádio Nacional se reinventa a cada dia para manter esse canal com seu público de agora e de sempre. A rádio está na internet e no celular do nosso ouvinte. Que, além de cartas, também pode ligar pra gente, mandar um e-mail, seguir nossas redes sociais, ou, se preferir, mandar um WhatsApp.

 

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