Tragédia de Mariana: primeiras famílias vão receber novas moradias em agosto de 2020

  • 07/11/2018 - 07h15

Kariane Costa

Esse barulho é das máquinas no canteiro de obras onde está sendo construído o  local  que vai abrigar  famílias  de Bento Rodrigues que perderam suas casas com o rompimento da barragem em  Mariana, Minas Gerais. No terreno, serão construídas  249 moradias.

 

O novo distrito, ainda sem nome,  fica há 8 quilômetros do município. As obras estão na fase inicial,  elas começaram há 3 meses. O prazo inicial para entrega  do distrito era o primeiro semestre de 2019, mas foi adiado para agosto de 2020.

 

O  atraso acorreu porque o projeto apresentado pela Fundação Renova, responsável por sanar os danos do acidente,  chegou a ser votado e aprovado ano passado pela comunidade em assembleia. Mas o Ministério Público interveio e o projeto teve que ser refeito.

 

O promotor de Justiça, Guilherme de Sá Meneghin,  da 1ª Promotoria de Justiça de Mariana  explica que foi preciso tomar medidas para garantir  que as pessoas conseguissem se sentir em um lar.



O promotor também  cobrou a aplicação de multa em beneficio das vítimas por causa do atraso na entrega do novo distrito.  Entre os moradores, há um fiscalizador especial da obra. É o seu Zezinho do Bento.  Aos 73 anos, ele vai ao local todos os dias.



Se em Bento Rodrigues as obras estão em andamento, as famílias de Gesteira e de Paracatu ainda vão ter uma longa espera.  O plano diretor para o projeto de reconstrução de Paracatu foi aprovado recentemente e Gesteira o terreno ainda nem  foi comprado.

 

O projeto nos 3 distritos é  recriar a comunidade, cada morador escolhe sua casa. No novo Bento Rodrigues serão reconstruídos também escolas, igrejas postos de saúde...tudo aquilo o que a lama levou. Como explica a gerente dos 3 reassentamentos, a engenheira Patrícia Loes.

 

Enquanto as casas são erguidas, moradores continuam recebendo o auxílio-aluguel e uma ajuda mensal da Fundação Renova.

 

* Sobre a demora  do inicio das obras na reconstrução da comunidade a Renova informou que o projeto inicial aprovado pela comunidade precisou ser totalmente desconsiderado no final do ano passado pelo fato de pequena parte do terreno escolhido – cerca de 4% – ter declividade acima de 47%, o que não é permitido pela legislação estadual. Os agentes envolvidos entenderam que era necessário um novo projeto, com os ajustes solicitados, o que fez com que o prazo para o reassentamento fosse repactuado."

 

*A repórter Kariane Costa viajou a convite da Fundação Renova. Acompanhe a terceira matéria sobre reconstrução de moradias para as famílias que tiveram suas casas soterradas pela lama.

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