Operação Tânatos prende no Rio de Janeiro suspeitos de integrar "Escritório do Crime"

  • 30/06/2020 - 10h46

Raquel Júnia

Dois milicianos suspeitos de participação em organização criminosa, conhecida como "Escritório do Crime",  foram presos nesta terça-feira (30), no Rio de Janeiro. Leonardo Gouvea da Silva, chamado MAD, e seu irmão Leandro Gouvea da Silva, o Tonhão, foram presos em casa, durante operação do Ministério Público do RJ, Polícias Civil e Militar, deflagrada para cumprir mandados de prisão contra quatro acusados de integrarem a organização,  que pratica assassinatos por encomenda.

 

Segundo o Ministério Público, os alvos dos mandados tem ligação com ex-agente do Batalhão de Operações Especiais da PM, o BOPE, Adriano da Nóbrega, denunciado em 2019 e morto na Bahia durante uma operação para prendê-lo, em fevereiro deste ano. O Escritório do Crime também é investigado pela morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes em março de 2018.

 

A operação desta terça-feira foi chamada de Tânatos, em uma referência ao Deus da Morte, na mitologia grega. As investigações apontam que o grupo miliciano é responsável pela execução de Marcelo Diotti da Mata, no estacionamento de um restaurante da zona oeste carioca,  na mesma noite do atentado contra Marielle Franco.

 

O crime teria sido encomendado por Adriano da Nóbrega. Diotti, que já havia sido preso por homicídio e exploração de máquinas de caça-níqueis, era visto como desafeto pelos executores.

 

O mesmo grupo criminoso é apontado como autor de uma tentativa frustrada de execução dos PMs Anderson Cláudio da Silva  e Natalino dos Santos Rodrigues, em janeiro de 2018. Os dois sobreviveram ao ataque.

 

O MP afirma que a organização possui estrutura ordenada e na hierarquia interna, Leonardo Gouvêa da Silva exerce uma função de chefia. Seu irmão, Leandro, atua como motorista do grupo e também monitora as vítimas.

 

Outros dois alvos dos mandados de prisão desta terça-feira, os ex-policiais militares, João Luiz da Silva, conhecido como Gago, e Anderson de Souza Oliveira, o Mugão, cumprem funções semelhantes.


O grupo atua, ainda de acordo com as denúncias, com emprego ostensivo de arma de fogo de grosso calibre e o mesmo padrão de execução no momento dos assassinatos de aluguel.

 

A operação cumpre também 20 mandados de busca e apreensão contra os acusados em endereços do Rio. Eles foram denunciados por organização criminosa e pelos crimes de homicídio. 

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