ONG estima que número de casos de Covid-19 na Nicarágua é quatro vezes maior

  • 03/06/2020 - 15h30

Marieta Cazarré

Na Nicarágua, o número de casos de contaminação pelo novo coronavírus é questionado pela imprensa desde o início da pandemia. Enquanto o Ministério da Saúde afirma ter registrado pouco mais de 1.000 casos e 46 mortes, a organização não governamental Observatório Cidadão contabiliza mais de 4 mil casos e 887 mortes.

 

Em nota, o Ministério da Saúde do país afirmou que "não estabeleceu e nunca estabelecerá nenhum tipo de quarentena".

 

Na última segunda-feira (1º), um documento assinado por 35 associações médicas qualificou como dramática a situação no país e convocou a população a fazer uma quarentena voluntária durante, pelo menos, 3 ou 4 semanas.

 

O ato recebeu o apoio de entidades como o Centro Nicaraguense de Direitos Humanos, que também divulgou um documento em que lista o que chamou de “irresponsabilidades do regime de Daniel Ortega e Rosario Murillo, esposa do ditador e vice-presidente do país, frente à Covid-19".

 

No documento, o órgão afirma que, desde o início da pandemia, Ortega "em vez de impedir a propagação da doença, invoca marchas massivas, mobiliza trabalhadores do estado e pessoal de saúde a promover palestras e fazer visitas domiciliares sem a menor proteção.

 

O regime afirma que a pandemia está sob controle na Nicarágua e rejeita tomar medidas, como o fechamento dos comércios, por afirmar que isso prejudicaria a economia.

 

Nessa terça-feira (2), durante o informe semanal da Organização Pan Americana da Saúde (Opas), foi feito um apelo ao país para que adote uma quarentena voluntária nacional.

 

O país registrou o primeiro caso da doença no dia 18 de março. Até o dia 26 de maio, tinham sido registrados 759 casos de contaminação. Os 359 novos casos significam um aumento de 47% em apenas uma semana. Em relação às mortes, o país passou de 35 para 46 - 11 confirmadas na última semana -, o que representa um aumento de 31% em uma única semana.

 

De acordo com dados do Observatório Cidadão, até o dia 30 de maio, o país registrava 4.217 pessoas infectadas - 3.458 a mais do que os dados do Ministério da Saúde - e 887 mortes suspeitas de covid-19 - 852 mortes a mais do que o informado pelo governo.

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