Dos 12 governadores citados em delações de executivos da Odebrecht, 3 são do Norte

  • 20/04/2017 - 14h32

Renata Martins

Doze governadores foram citados nas delações dos executivos da Odebrecht. Três são chefes do Executivo de estados da Amazônia. 


A Procuradoria-Geral da República (PGR) já foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a investigar o governador do Acre, Tião Viana (PT), porque a investigação inclui seu irmão, o senador Jorge Viana (PT), que tem foro privilegiado. 


Em depoimento, Marcelo Odebrecht narra que, em 2010, Jorge Viana pediu R$ 2 milhões para a campanha do irmão, Tião Viana, então candidato a governador do Acre. Segundo o ex-presidente da empreiteira, os valores foram descontados da cota global do Partido dos Trabalhadores. 


“Eu fui muito franco com o Jorge [Viana]. Ele foi lá, falou com Palocci e Palocci autorizou”, disse o empreiteiro à Força-Tarefa da Lava Jato. 


Do total, segundo delatores, parte foi doação legal de campanha R$ 500 mil e o restante de forma não oficial. O recurso tinha como destinatário o codinome “Menino da Floresta”, apelido dado pela Odrebrecht a Jorge Viana.


Em nota, o governador Tião Viana destacou que combateu a corrupção em toda sua carreira política. Afirmou que nunca realizou qualquer obra com a construtora Odebrecht, no Acre. Por isso, nem sequer poderia ter qualquer tipo de interesse escuso. 


O senador Jorge Viana afirmou que não há nenhuma denúncia de corrupção contra ele e o irmão e, sim, questionamentos sobre a arrecadação da campanha em 2010. Disse, também, que ele e Tião Viana irão provar na Justiça que as campanhas foram dentro da lei e feitas com dinheiro limpo. 


Outros dois executivos da Odebrecht narram o repasse de R$ 1 milhão ao então candidato ao governo de Tocantins, Marcelo Miranda (PMDB), a pedido do ex-deputado federal Eduardo Cunha. Os recursos teriam sido repassados para um assessor de Marcelo Miranda em São Paulo, em 2010. 


A defesa do governador informou que Marcelo Miranda não teve qualquer conversa a respeito da suposta doação com o delator ou com terceiros, desconhecendo por completo a informação. E que todas as doações recebidas pelo então candidato foram registradas na prestação de contas e aprovadas pela Justiça Eleitoral. 


Em depoimento, o também delator José de Carvalho Filho disse ter se reunido com o então deputado federal Flávio Dino (PCdoB) para tratar de projeto de lei que atribuiria segurança jurídica a investimentos do Grupo Odebrecht em Cuba.


Dino teria solicitado ajuda para sua campanha eleitoral de 2010 ao governo do Maranhão. Segundo o delator, a Odebrecht efetuou pagamento de R$ 400 mil. A senha para receber o repasse teria sido entregue ao próprio parlamentar. 


Flávio Dino perdeu as eleições em 2010 e foi eleito governador do Maranhão em 2014. O governador maranhense nega as acusações. Dino afirma que em toda a sua vida jamais respondeu a um único processo sequer.


As denúncias contra Flávio Dino e Marcelo Miranda foram encaminhadas ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Cabe ao STJ decidir se autoriza ou não a abertura de inquérito dos governadores.

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