Ex-presidente do Tribunal de Contas do Rio diz que pagou propina a Pezão

  • 10/09/2019 - 07h32

Fabiana Sampaio

Em depoimento nessa segunda-feira (9) no processo da Operação Boca de Lobo, desdobramento da Lava Jato no Rio de Janeiro, o ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado Jonas Lopes afirmou que o ex-governador Luiz Fernando Pezão autorizou o pagamento de propina, inclusive durante período em que esteve licenciado do cargo para tratamento de um câncer.

 

O ex-presidente e seu filho, ambos réus colaboradores, confirmaram ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, o recebimento de propina para que a Corte avalizasse contratos das empresas que prestavam serviço para o estado.


Outro réu colaborador que também prestou depoimento nessa segunda foi Carlos Miranda, operador financeiro do esquema de corrupção montado por Sergio Cabral.


Ele confirmou que administrava o pagamento e recebimento de propina desde que o ex-governador era presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, a Alerj, no fim da década de 1990.


Segundo Miranda, enquanto era vice-governador de Cabral, Luiz Fernando Pezão recebia uma mesada de R$ 150 mil e alguns desses pagamentos teriam sido entregues dentro do Palácio Guanabara, sede do governo.


Miranda disse que Pezão recebia bônus que variavam de R$ 1 milhão a R$ 2 milhões, por ano.

 

Segundo os cálculos do Juiz Marcelo Bretas, o ex-governador teria recebido cerca de R$ 30 milhões em propina, entre 2007 e 2014.


A reportagem procurou a defesa de Luiz Fernando Pezão, mas não houve retorno até o fechamento da matéria.

 

A defesa tem divulgado que o ex-governador afirma que nunca recebeu propina.

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