Rio de Janeiro: denúncias de crimes contra a mulher diminuem nas delegacias, mas aumentam no 190

  • 22/06/2020 - 18h13

Tâmara Freire

O número de denúncias de crimes contra a mulher recebidas pelo serviço 190 da Polícia Militar do Rio de Janeiro cresceu 12% desde o início das medidas de isolamento social para conter a pandemia de coronavírus. Os dados são do Instituto de Segurança Pública e abrangem o período de 13 de março até 31 de maio, na comparação com o ano passado.


O número de ocorrências tipificadas pelas Lei Maria da Penha registradas pelas delegacias, no entanto, caiu 47,6%, assim como todos os tipos de violências cometidas contra as mulheres, que tiveram redução de 44,2% no caso das agressões físicas e de 50,8% em reação às sexuais, por exemplo.


O ISP ressalva que a queda verificada nos índices de violência, de maneira geral, pode decorrer do próprio isolamento, mas também da subnotificação. Ou seja, a falta de denúncia de alguns casos.


Por causa do confinamento, as delegacias de Polícia Civil estão recebendo denúncias online, exceto para casos de urgência, mas a especializada de atendimento à mulher continuam funcionando normalmente.


Ainda de acordo com o instituto, apesar da queda na quantidade de registros, a proporção dos crimes que ocorreram em casa aumentou. 67% das vítimas de violência física e 69,2% das que sofreram abuso sexual foram agredidas na sua própria residência.


O ISP também passou a monitorar os crimes de maus tratos no período de pandemia, e verificou uma queda de 73% na quantidade de vítimas, mas houve aumento na proporção das agressões contra crianças. Elas, que foram 27,9% das vítimas registradas em maio do ano passado, passaram a ser 41,5% este ano.


Os indicadores monitorados rotineiramente também apresentaram queda em 2020, à exceção das mortes por intervenção de agentes do estado, que ainda foram 1% maiores no acumulado do ano, com 741 registros, apesar da queda de 25% ocorrida em maio.


As vítimas de crimes violentos letais intencionais, que reúnem homicídio doloso, latrocínio e lesão corporal seguida de morte, foram 279 no mês passado e cerca de 1,7 mil no período de janeiro a maio – os menores valores desde 1999. Os roubos também tiveram redução significativa, e chegaram a 37% no acumulado do ano no caso do roubo de cargas, e a 66% no roubo de rua apenas em maio.

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